O olhar de fora: delegações estrangeiras destacam biodiversidade e protagonismo do Brasil na COP15


Representantes internacionais que participam da Conferência das Partes sobre Espécies Migratórias apontam a riqueza ambiental brasileira e o papel estratégico do país nas discussões globais sobre conservação

Kiria Chagas


Na plenária da COP15, delegações de diferentes países reforçam o papel
sobre biodiversidade. (foto: Kiria Chagas)l do Brasil nas discussões globais


Campo Grande se tornou, nesta semana, ponto de encontro de delegações internacionais durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), a COP15. O evento reúne governos, pesquisadores e organizações ambientais para discutir estratégias globais de proteção à fauna migratória e ampliar a cooperação entre países.

Para representantes estrangeiros, sediar a conferência no Brasil reforça a relevância do país no cenário ambiental internacional e destaca a importância de seus biomas para a biodiversidade mundial.

Chefe da delegação da Arábia Saudita e representante do Centro Nacional de Pesquisa da Vida Selvagem, Ahmad Ibrahim Al-Boug afirmou que o Brasil é reconhecido mundialmente por sua diversidade biológica. “Quase um quinto da biodiversidade mundial está aqui, tanto de plantas quanto de animais.”

Ele participa de uma conferência no país pela segunda vez, a primeira foi em 1988, e destacou a importância de eventos internacionais como a COP para fortalecer o intercâmbio científico e a cooperação entre nações.

A COP15 discute, entre outros temas, a ampliação de áreas protegidas e a implementação de políticas públicas voltadas à preservação de espécies migratórias. Segundo o delegado saudita, a meta internacional de proteger ao menos 30% das áreas terrestres e marinhas têm impulsionado mudanças concretas em diversos paíse. Ele citou como exemplo a própria Arábia Saudita, que ampliou significativamente suas áreas de proteção ambiental nas últimas décadas. “Passamos de 4,2% de áreas protegidas para mais de 18% em terra e 16,2% em áreas marinhas", explica.

Declínio das aves migratórias preocupa especialistas

Outro ponto central das discussões é a queda nas populações de aves migratórias em diferentes regiões do planeta. Diretor do Programa de Aves Migratórias para a América Latina e o Caribe da organização American Bird Conservancy, o mexicano Andrés Anchondo alertou para a perda expressiva de indivíduos nas últimas décadas. “Espécies que migram da América do Norte para a América Latina perderam 3 bilhões de indivíduos nos últimos 50 anos. Isso significa uma em cada quatro aves.”

Segundo Anchondo, a principal ameaça às aves é a perda de habitat, provocada pela expansão urbana, mudanças no uso do solo e degradação ambiental. Ele ressalta que as aves são consideradas indicadores naturais da qualidade dos ecossistemas.
“As aves são excelentes indicadores da saúde ecológica de um território. Se deixarmos de ouvir os pássaros, é um sinal muito ruim, e precisamos agir.”

Brasil em posição de destaque no cenário ambiental


Representantes internacionais acompanham os debates da COP15
em Campo Grande (Foto: Kiria Chagas)

Ao sediar a COP15, o Brasil reforça sua posição como um dos principais países nas negociações internacionais relacionadas à biodiversidade. A presença de delegações estrangeiras e de organizações ambientais globais evidencia a importância do território brasileiro para a conservação de espécies migratórias e para a manutenção do equilíbrio ecológico em escala mundial.