Jornalista fala sobre os bastidores da televisão, os desafios da profissão, a rotina de uma redação e dá conselhos para quem está começando na área
Por Yngrid Batista
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| Marina Romualdo, repórter da TV Record MS, natural de Aquidauana (MS). |
De Aquidauana para a capital morena: foi assim que Marina Romualdo, ainda aos 17 anos, deixou sua cidade em busca do sonho da faculdade. Jornalista hoje consolidada, ela compartilha nesta entrevista os bastidores da televisão, os desafios da profissão e a rotina de uma redação, além de deixar conselhos para quem está começando.
A curiosidade, a vontade de escrever e o desejo de contar histórias levaram Marina Romualdo ao jornalismo. Antes mesmo de escolher a profissão, ela já escrevia poesias e tinha o costume de buscar informações sobre diferentes assuntos, um hábito que a própria mãe percebeu e incentivou, sugerindo o caminho que mudaria sua trajetória.
Em 2017, ingressou no curso de Jornalismo e, desde então, transformou essa curiosidade em profissão. Hoje, repórter da TV Record MS, ela vive uma rotina marcada pela imprevisibilidade, pela correria e pela responsabilidade de lidar com histórias delicadas.
Nesta entrevista, Marina conta os bastidores de uma reportagem, os desafios dos links ao vivo, a preparação antes de entrar no ar e relembra uma das apurações que mais marcou sua carreira.
Como começou sua história no jornalismo?
Minha história com o jornalismo começou mesmo antes de eu escolher a área. Sempre gostei muito de escrever e escrevia poesias. Também sempre fui muito curiosa e gostava de saber mais sobre vários assuntos. Um dia minha mãe perguntou: “Por que você não faz Jornalismo?”. Foi aí que tudo mudou. Em vez de escrever apenas poesias, percebi que poderia contar histórias de outras pessoas. Entrei no curso de Jornalismo em 2017 e, para minha surpresa, amei desde o começo. Hoje, faço o que descobri que sei fazer de melhor: contar histórias. E isso não tem preço.
Como é a rotina de uma repórter de televisão?
A rotina é diferente todos os dias, e acho que é justamente isso que torna o jornalismo tão interessante. A gente nunca sabe exatamente o que vai acontecer. Um dia podemos estar fazendo uma matéria de serviço ou de ajuda à população e, de repente, surgir uma ocorrência policial ou uma pauta completamente diferente. Também temos pautas de prefeitura, saúde, educação e tantos outros assuntos. Existe todo um processo, desde a produção, a apuração e a construção da reportagem até a finalização e a entrada no ar.
O que ninguém vê por trás de uma reportagem que vai ao ar?
Sem dúvidas, a correria do dia a dia. Às vezes, passamos por alguns apuros para conseguir chegar ao local da pauta, conseguir uma entrevista ou até mesmo fechar uma reportagem dentro do horário. Existe muita coisa acontecendo por trás daqueles poucos minutos que aparecem na televisão. Mas, no fim, quando a matéria fica pronta e consegue levar uma informação importante para quem está assistindo, tudo vale a pena.
Qual foi a situação mais difícil que você já enfrentou durante uma reportagem?
Acho que as pautas mais difíceis são aquelas em que precisamos lidar com a dor de uma família. É muito delicado chegar para uma pessoa que acabou de perder alguém e fazer perguntas sobre aquela situação. Às vezes, podemos até parecer invasivos, mas aquela história também precisa ser contada. Principalmente em casos de feminicídio ou situações envolvendo crianças, é preciso ter muito cuidado, respeito e sensibilidade para conseguir fazer o trabalho sem esquecer que existe uma família sofrendo do outro lado.
Como você se prepara antes de entrar ao vivo?
Eu ainda fico muito nervosa antes de entrar ao vivo. Sempre tento fazer alguns exercícios de dicção, tomar bastante água e, principalmente, estudar o assunto e o texto antes de entrar. Isso me dá mais segurança para falar. Também tento pensar que eu conheço aquele assunto e que estou ali justamente para passar a informação para o público. O nervosismo ainda existe, mas aprendi a controlar melhor.
Já aconteceu alguma coisa inesperada durante um link? Como resolveu?
Às vezes, durante um ao vivo, não temos como ter 100% de controle sobre o que vai acontecer. Principalmente quando fazemos o “fala povo”. A gente aborda uma pessoa, explica que estamos fazendo uma reportagem e, na hora, ela não quer falar. Aí dá aquele “poxa, que triste”. Mas faz parte. A gente respira, procura outra pessoa e segue o trabalho.
Qual reportagem mais marcou sua carreira? Por quê?
Acredito que uma das reportagens que mais me marcou foi quando comecei a apurar a morte da pequena Sophia Jesus Ocampo, que foi morta pela mãe e pelo padrasto. Lembro que estava em casa durante a noite quando recebi a informação. No dia seguinte, começamos a apurar tudo o que tinha acontecido: os detalhes do caso, o local, as circunstâncias da morte e até as informações sobre as vezes em que ela tinha dado entrada em uma unidade de saúde. Foi uma apuração muito delicada e que me marcou bastante como jornalista.
O que você considera essencial para ser uma boa repórter?
É preciso ter vontade, curiosidade e persistência para aquilo que você quer. Não adianta querer ser jornalista se não tiver curiosidade de ir atrás, de perguntar, de apurar e de entender o que realmente está acontecendo. É preciso se informar, ouvir as pessoas e buscar diferentes versões para conseguir levar uma informação correta para o público. Se não houver essa busca pela informação, a gente não consegue cumprir o nosso papel de jornalista.
O que mudou no jornalismo desde que você começou?
O jornalismo muda todos os dias. Quando comecei, as redes sociais já eram importantes, mas hoje elas fazem parte praticamente de toda a rotina de uma redação. A informação circula muito mais rápido e o jornalista precisa acompanhar esse ritmo, mas sem deixar de lado a apuração. Acho que essa é uma das maiores mudanças: hoje precisamos ser rápidos, mas também precisamos ter muito cuidado para não transformar velocidade em informação errada.
Que conselho daria para quem está começando Jornalismo?
Não desista porque alguma coisa não deu certo de primeira. O jornalismo é uma área que exige muita persistência, curiosidade e vontade de aprender. Procure ouvir quem já está na área, faça estágio, coloque a mão na massa e aproveite todas as oportunidades. E, principalmente, não tenha medo de começar pequeno. Cada experiência vai ajudar a construir o profissional que você quer ser.

