Diferenças no tempo de produção, na linguagem e na forma de consumir informação mostram como televisão e internet podem atuar de maneira complementar
Por Yngrid Batista
A expansão dos portais de notícias e das redes sociais mudou a forma como o público acompanha os acontecimentos. Se antes a televisão ocupava papel central na divulgação das informações, hoje o celular permite que uma notícia seja publicada e acessada praticamente em tempo real.
Para o jornalista Claudemir Cândido, que atua na profissão desde 2018 e se formou em 2020, uma das principais diferenças entre a produção para televisão e para portais está no tempo disponível para desenvolver uma notícia.
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| Jornalista Claudemir Cândico em pauta. Foto: Arquivo Pessoal |
Tempo de produção é uma das principais diferenças
Segundo ele, a televisão permite mais tempo para pensar a pauta, encontrar personagens, realizar entrevistas e aprofundar o assunto.
Nos portais, especialmente na cobertura de hard news, a prioridade costuma ser publicar a informação com rapidez. Por isso, a primeira notícia sobre um acontecimento chega ao público enquanto o fato ainda está em desenvolvimento.
Uma das principais diferenças é o tempo de produção. Na televisão muitas vezes você tem um período de dias para conseguir pensar, achar personagem, se aprofundar mais naquela matéria.
Na prática, os dois formatos podem partir do mesmo acontecimento e desenvolver a informação de maneiras diferentes. O portal pode publicar o fato logo de início, e a televisão pode usar essas informações como ponto de partida para uma apuração mais aprofundada.
A linguagem também precisa mudar
A adaptação da linguagem é outra diferença importante. Na televisão, a informação precisa estar associada às imagens e ser compreendida pelo telespectador durante a exibição.
No portal, o texto pode trazer mais detalhes e contextualizar o acontecimento de forma mais ampla. A descrição dos fatos ganha papel fundamental, principalmente quando não há imagens disponíveis.
A diferença também aparece na escolha das palavras. Para Cândido, determinadas formas de tratamento podem gerar interpretações diferentes conforme a plataforma em que a informação é apresentada.
Na televisão, o jornalista precisa considerar que o público ouve a informação e, ao mesmo tempo, acompanha as imagens. Por isso, a escolha das palavras e a construção da notícia são fundamentais para evitar interpretações equivocadas.
A televisão ainda tem espaço?
Mesmo com a velocidade dos portais, a televisão mantém características próprias. Para o jornalista, um dos diferenciais é a possibilidade de interação, principalmente nos telejornais ao vivo.
Além de informar, a televisão mostra imagens, acompanha acontecimentos em tempo real e estabelece uma relação mais direta com quem assiste. Essa característica torna a experiência do público diferente da leitura de uma notícia em um portal.
Redes sociais aproximam TV e internet
Com as redes sociais, o telespectador deixou de ser apenas alguém que recebe a informação e passou a comentar, compartilhar e procurar conteúdos relacionados ao que é exibido.
Vídeos, fotos e trechos de reportagens publicados nas redes podem alcançar pessoas que nem sequer acompanhavam o telejornal naquele momento.
Nesse cenário, televisão, portais e redes sociais não precisam necessariamente disputar o mesmo público. Os diferentes meios podem funcionar de maneira complementar e ampliar o alcance da informação.
O futuro do jornalismo está na convergência
Com o crescimento do consumo de notícias pelo celular, o jornalismo televisivo passa por uma transformação. Para Cândido, a tendência é de migração gradual do público para o ambiente digital, sem que isso signifique necessariamente o desaparecimento da televisão.
O desafio das emissoras é integrar o conteúdo produzido para a TV às plataformas digitais, de modo que a mesma informação circule em diferentes formatos.
A mudança está também no comportamento do público. O espectador pode acompanhar uma reportagem na televisão, assistir a um trecho nas redes sociais e depois buscar mais informações em um portal. Televisão e internet passam, assim, a integrar um mesmo ecossistema de informação, em que o público escolhe onde e quando consumir o conteúdo.

