RESENHA - Chromatica: O retorno de Lady Gaga ao Pop


                                     Matheus Azevedo

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            A consagrada dona do pop Lady Gaga lançou no dia 29 de maio o tão aguardado LG6. Para quem não entende a sigla, “Chromatica” é o sexto álbum pop de estúdio da cantora. Lady Gaga surgiu em 2009 com o seu famoso álbum “The Fame” e, de lá pra cá, sua fama só cresceu, seja pelas suas músicas grudentas como “Poker Face” ou pelas suas roupas um pouco extravagantes - quem não se lembra daquele vestido de carne que ela usou no VMA de 2010?

            Gaga não estava há tanto tempo longe da música. Acontece que seu último álbum, “A Star Is Born”, foi a trilha sonora do filme em que ela mesma foi protagonista. O trabalho é impecável, mas os seus little monsters, nome da sua base de fãs, estavam mesmo querendo era o pop dançante. A tracklist do álbum traz vozes do ator Bradley Cooper, seu par romântico no filme. A canção “Shallow” foi destaque, recebendo diversas premiações como Oscar, Grammy, Globo de Ouro e muitos outros.

            Ao longo desses dez anos de carreira, a mother monster trouxe para seus fãs o glorioso “The Fame”, com hinos como “Just Dance”, “Paparazzi” e “Poker Face”. Já em “The Fame Monster”, seu segundo álbum, os destaques foram “Bad Romance”, “Alejandro” (Byeeee, Fernando!) e “Telephone”, com a musa do R&B Beyoncé. Atrevo a dizer que, na sua terceira e mais marcante era, o auge foi “Born This Way”, faixa título do álbum e “Judas”.

            Sabe aquele momento de ranço? Eu sinto. Porque como é que eu, vocês, little monsters, deixamos flopar “Artpop”, quarto álbum da mamãe? A faixa é hino pop de ponta a ponta. “Applause” foi o single que mais se destacou nessa era, teve “G.U.Y”, um dos melhores clipes, mas não alcançou um bom destaque nas paradas. Detalhe: no intervalo do 4° para o 5° álbum, Lady Gaga lançou “Cheek To Cheek” com Tony Bennett, em 2014. O álbum é tudo de bom e serviu para o público conhecer um pouco mais da voz poderosa da Gaga. Seu quinto álbum foi “Joanne”, que eu particularmente amo, que traz uma Lady Gaga mais calma, reflexiva e sem muita extravagância. Essa foi a era das botas e chapéu rosa, onde os destaques foram as músicas “John Wayne”, “Perfect Illusion” e “Million Reasons”.

            Agora, vamos ao que interessa. A era do mundo cor de rosa em “Chromatica” chegou e anestesiou os fãs que pediam o pop farofa. Assim como todos os álbuns de Gaga, por trás, existe todo um conceito e este não ficou de fora. “Chromatica” é um ponto de sobriedade de todo o caos que a cantora viveu em relação a drogas e bebidas. “Stupid Love” foi quem deu as boas-vindas à nova era. A música é super dançante com batidas de um pop mais antigo ao estilo Michael Jackson e The Weekend (coisa boa, hein!). O clipe é em outro mundo onde os bailarinos da cantora encenam a diversidade em várias cores.

            Ainda antes de lançar o álbum, Gaga lançou um segundo single, “Rain On Me” em feat com Ariana Grande. A ideia da parceria foi justamente pelas duas terem passado por alguns problemas em suas carreiras. Ariana fez uma apresentação em Manchester em 2017, que foi alvo da explosão de uma bomba, deixando mais de 22 pessoas mortas e muitas outras feridas. Ari e dona Lady se juntaram e fizeram uma linda canção que em sua tradução diz: “Prefiro estar seca, mas, pelo menos, estou viva. Chova em mim, chova, chova”, remetendo a uma volta por cima. Música e clipe com mensagem linda e motivadora. Realmente, Gaga is back!


            Sinto cheiro de hit! “Sour Candy” foi a terceira música solta antes da estreia do álbum. Esse hino tem parceria com o grupo sul-coreano Blackpink. Eu adorei, mas achei um pouco parecido com a música da Katy Perry, ‘Swish Swish”. Porém, assisti a algumas análises no YouTube, que diziam que as duas cantoras usavam o mesmo sample para a música. Então, se já curtia a música da Katy, da Lady gostei também.

            Além da faixa citada, “Babylon” também me lembrou outra música, desta vez, “Vogue” da Madonna. As duas já foram comparadas, já tiveram algumas tretas, segundo a mídia, por Madonna achar que Gaga a copiava. Eu, Matheus, acredito que seja mentira, pois, a mídia tem uma mania péssima de colocar uma mulher contra outra e os fãs também tem grande parcela nisso.
            As faixas “Free Woman” e “Fun Tonight” são excelentes. Gaga sempre traz uma baladinha e essas duas foram de “Chromatica”. Tomara que uma delas ou as duas sejam trabalhadas como single porque potencial tem de sobra. “Sine From Above” é uma parceria com seu grande amigo Elton John. Essa música não poderia ter tido colaboração melhor. Eles se casaram super bem nesse hino. As irmãs amaram!

            “Chromatica” é sinônimo de perfeição. Como admirador, adorei o álbum todo. “Alice”, “911”, “Plastic Doll”, “Enigma”, “Replay” e “1000 Doves” são lindas, cada uma trazendo uma mensagem da mother monster. E quem disse que dona Gaga não é puro conceito? Entre as faixas do álbum tem três interludes ou vinhetas: “Chromatica I”, “Chromatica II” e “Chromatica III”. Não é algo novo, mas os instrumentais são muito bons, uma delícia de ouvir.

            Por fim, a análise geral do álbum é positiva. Os especialistas da música afirmam que Lady Gaga voltou realmente para o pop. Ela ousou muito nesse sexto álbum, trazendo além do pop, batidas mais eletrônicas, uma junção excelente. Obrigado, Gaga, por nos fazer entrar em um mundo Power Rangers com um pouco de Star Wars.

            SERVIÇO: “Chromatica” – Lady Gaga (2020) está disponível nas principais plataformas de streaming musical.
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