RESENHA - Todas a s mulheres do mundo


                                                                 Fabiana Garritano
Foto: GShow
            A série “Todas as Mulheres do Mundo” é baseada no filme homônimo de 1966, realizado por Domingos Oliveira, que fez grande sucesso. A forma como é narrada, emergida por pura poesia, são dignas de atenção. São apenas doze episódios, cada um contando a história de um novo amor, vivida pelo mesmo homem. Já na primeira cena, somos apresentados a Paulo, vivido por Emílio Dantas, um arquiteto, boêmio e poeta que vive em Copacabana, e tem como paixão, o amor, a liberdade e o universo feminino. Essa paixão o faz querer conhecer cada mulher e suas singularidades. E que mulheres.
            Paulo sonha em escrever uma peça autobiográfica na qual retrata suas dores e amores. Eis que em uma festa de Natal, surge uma paixão a primeira vista. Paulo conhece a bailarina Maria Alice, interpretada por Sophie Charlotte. O grande porém é que ela não é o único amor de sua vida. É um amor acordado pela premissa de não serem feitas promessas eternas, exceto pelo amor. Este é eterno mesmo quando não convidado.
            Uma série extremamente delicada e poética, desde os personagens ricos, de características físicas e personalidades marcantes, até a trilha sonora inteiramente interpretada por vozes femininas do mais alto padrão, como o tema de abertura, com a obra de arte de Pixinguinha, “Carinhoso“. Você se apaixona a cada episódio junto com Paulo e suas diversas mulheres.
            As cores também são algo marcante, com tons claros e agradáveis, que se adaptam como luva ao que a série propõe. Ambientada no Rio de Janeiro, com mar, vistas, travessas, é o cenário propício a toda a boemia, o que apenas essa cidade é capaz de oferecer. Os diálogos são profundos e contundentes, cheios de opiniões e pontos de vista para quem tem interesse em se tornar um ser mutável, disposto a ouvir e aprender.
            “Todas as Mulheres do Mundo” não fala somente sobre o amor carnal de Paulo, mas também sobre o amor de mãe e filho, amizades sinceras que perduram por toda a vida, baseadas em carinho, cuidado e proteção. E fala também sobre álcool, porque talvez a vida seja dura demais para ser encarada totalmente sóbria. Cabral e Laura, além de melhores amigos de Paulo, funcionam como parte de sua consciência.
            A série contou com a ajuda do próprio Domingos Oliveira na escolha de personagens e adaptações para tornar a obra mais adequada aos dias atuais e a inclusão de trechos de outras de suas obras. Outro ponto muito assertivo foi a escolha das atrizes que participam da série. Com pouquíssimas exceções, são rostos novos para o público, no intuito de conhecermos a face da personagem junto com Paulo. A seleção dos figurinos busca passar por todas as décadas em que Domingos viveu, além de trazer as suas mulheres para a obra, como esposa e filha, e os seus amores românticos.
            Já preciso deixar avisado, se você não gostar do primeiro episódio, pare por aí, pois a fórmula é a mesma. A diferença está na excepcionalidade de cada personagem. “Todas as Mulheres do Mundo” é uma série que conta sobre toda a voracidade que o amor traz consigo, a beleza, a tristeza, a dor, o encanto. Só quem já o viveu será capaz de mergulhar na trama. Tudo isso com uma dose de humor sob medida.


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