Geladeira Solidária é para todos, mas quem realmente precisa está ficando sem


As pessoas podem pegar apenas uma marmita por vez, diz voluntária

Paulo Ramos

Voluntários abastecem diariamente as duas geladeiras do projeto com 50 marmitas
Foto: Roberta Monteiro/ Arquivo Pessoal
As geladeiras solidárias é um projeto realizado por voluntários que acontece a cerca sete anos na capital. São duas geladeiras distribuídas pela cidade, uma na Avenida Ernesto Geisel e outra na rua Raul Pires Barbosa, cada uma sendo bastecidas diariamente com 50 marmitas, água potável e outros alimentos, a ideia é ajudar aqueles que mais necessitam, cada pessoa pode pegar uma marmita por vez, para que haja o suficiente para os moradores de rua.

Porém, nesta semana algo chamou a atenção da voluntária Roberta Monteiro. Segundo ela, ao chegar para abastecer uma das geladeiras, localizada na avenida Ernesto Geisel, percebeu que moradores da região estavam pegando mais de quatro marmitas, trocando as misturas e jogando o restante dos alimentos fora. “Têm até pessoas que têm condições de comprar alimento, pegando as marmitas para não precisarem cozinhar”, disse indignada. 


Foto: Roberta Monteiro/ Arquivo Pessoal
Ela também nos contou que chegou a encontrar um bilhete, de um morador de rua, pedindo que as pessoas pegassem apenas uma marmita por vez.

A voluntária ressalta que entende que há pessoas que nesta situação de pandemia estão sem dinheiro, desempregadas e que estão passando necessidades. “Não impedimos ninguém de pegar o alimento. Porém, que pegue uma marmita por pessoa. É inadmissível a falta de empatia com quem mais precisa. Faço esse trabalho desde 2017, acordo cedo para cozinhar, e nunca tinha visto isto antes. E esse fato só ocorre na geladeira da região da Ernesto Geisel”, lamentou.

Roberta enfatizou que o projeto só acontece devido ao grupo de voluntários, da ajuda de igrejas da cidade e algumas pessoas que ajudam com alimentos que sobram em casa.